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Wagner Moura falou sobre o filme O Agente Secreto, o Globo de Ouro, a temporada de premiações, suas visões sobre o cinema e sobre a política brasileira em entrevista publicada neste sábado, 10, no jornal norte-americano The New York Times.
A publicação considerou o brasileiro como um dos principais atores da temporada de premiações. "Especialistas acreditam que Moura vai faturar sua primeira indicação ao Oscar", escreve o jornal, o que o coloca ao lado de nomes como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan.
Wagner Moura e a temporada de premiações
"Essa coisa de campanha é intensa", disse o brasileiro, que pode ser premiado como melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro neste domingo, 11. Ele já foi indicado ao mesmo prêmio (em outra categoria) quando viveu Pablo Escobar na série Narcos, da Netflix.
Moura afirmou ter recusado alguns papéis em Hollywood após a repercussão da produção, em 2016, mas não revelou nomes. "Talvez seja um tipo de coisa anticolonialista. Eu nunca fiz nada por dinheiro ou porque era uma grande coisa de Hollywood que todo mundo vai assistir. E especialmente depois de Narcos, eu não quero fazer nada que vá estereotipar latinos", explicou.
Segundo ele, a reação causou surpresa em seus empresários: "Eles diziam: 'Ah, você é um ator brasileiro, deveria estar feliz com aquela oferta'. E tinha uma parte de mim que sentia um tipo de prazer em dizer: 'Eu não vou fazer isso'".
"Eu quero fazer os mesmos personagens que atores brancos americanos da minha idade estão fazendo. Quero interpretar personagens chamados Michael que falam da forma como eu falo", prosseguiu.
Wagner Moura ainda atribuiu sua firmeza neste quesito a seu pai, que foi sargento da Aeronáutica. "Não quero me vender como uma bússola moral, mas eu me mantenho sobre quem eu sou e as coisas que acredito serem certas. É uma coisa que soa meio arrogante em se dizer, mas vou falar de qualquer jeito. Eu tenho quase 50 anos, então f***-se."
Wagner Moura critica Trump e Bolsonaro
Em outro momento da conversa, Wagner Moura falou sobre a situação política do Brasil e fez uma comparação envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ator vê semelhanças na reação dos políticos quando foram derrotados em eleições presidenciais e instigaram seus apoiadores a se manifestar de forma violenta. Mas, para ele, a principal diferença está na forma como as instituições dos países lidaram com a questão.
"Foi fascinante a forma com a qual o Brasil foi super rápido em mandar as pessoas para a cadeia, encontrar os financiadores, e cassar os direitos políticos de Bolsonaro. As instituições no Brasil são mais fortes que as dos Estados Unidos? Eu acho que não. Mas na minha opinião isso aconteceu porque os brasileiros sabem o que é uma ditadura", opinou.
Moura ainda fez críticas ao grupo político de Bolsonaro: "Quando eles dizem que os artistas são uma elite intelectual que está contra o povo, as pessoas compram isso. É como o antigo manual do fascismo, onde eles atacam a imprensa, os artistas, as universidades, coisas assim. E foi muito efetivo. Uma parte da sociedade brasileira olha para a gente como se fôssemos comunistas".
"Todos eles vão embora, é apenas uma onda. Bolsonaro agora está na cadeia, então nos livros de história ele será o fascista eleito pelos brasileiros que tentou um golpe de Estado. Enquanto isso, Caetano Veloso sempre será Caetano Veloso", prosseguiu.
O Agente Secreto
O brasileiro ainda destacou o filme O Agente Secreto como um lembrete dos problemas que o Brasil viveu durante a ditadura militar (1964-1985). "Nós vendemos um milhão de ingressos, é um grande sucesso. E eu amo o fato de que o filme foi lançado no Brasil em um momento em que finalmente estamos ficando quites com a nossa memória."
O The New York Times ainda destacou o fato de Wagner Moura ter se tornado famoso no Brasil num primeiro momento atuando em novelas e posteriormente como protagonista do filme Tropa de Elite. "Na conversa, ele estava animado e opinativo, com um senso de humor irreverente, seu rosto de garoto e seus cabelos grisalhos e uma voz tão profunda e ressonante que soava como um efeito especial", descreveu a publicação.
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