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Douglas Schwartzmann e Mara Casares são expulsos do São Paulo por caso do camarote no MorumBis

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Douglas Schwartzmann e Mara Casares foram expulsos do quadro associativo do São Paulo, por decisão do Conselho Deliberativo. O resultado, apurado às 17h desta quinta-feira, apontou a aprovação de sanções contra os ex-diretores em processo que investigou o envolvimento de ambos em um esquema clandestino com um camarote do MorumBis. Eles alegaram inocência.

Diferentes pontos sobre o tema estiveram em pauta a partir das possíveis sanções sugeridas pela Comissão de Ética após análise do caso. A situação se tornou conhecida pelo vazamento de um áudio que flagra Schwartzmann e Mara mencionando envolvimento no esquema. Eles renunciaram a seus cargos de diretores após o caso se tornar público.

As votações foram abertas na noite de quarta-feira. Para cada pauta, era necessária aprovação de dois terços (169) dos 253 conselheiros aptos a votar. A média de aprovação dos itens foi de 222 votos no caso de Mara e 220 para Schwartzmann.

Primeiro, foram votadas a invalidação do áudio como prova (a pedido de Schwartzmann) e a suspensã do processo (a pedido de Mara). Outros tópicos votados foram: suspensão, perda do mandato de conselheiro, inelegibilidade e dever de reparação por danos à imagem do São Paulo.

Schwartzmann era conselheiro vitalício do São Paulo. Mara era conselheira eleita, mas renunciou em dezembro, após deixar a diretoria. Ela ainda foi julgada como tal, pelo entendimento de que os fatos analisados aconteceram enquanto ela exercia a função.

COMO FORAM AS VOTAÇÕES SOBRE SANÇÕES A DOUGLAS SCHWARTZMANN E MARA CASARES

Douglas Schwartzmann

Rejeição ao pedido de invalidar provas: aprovada por 220 a 12 e cinco abstenções

Expulsão por gestão temerária: aprovada por 217 a 17 e três abstenções

Suspensão de 360 dias: aprovada por 220 a 16 e uma abstenção

Inelegibilidade (por 10 anos): aprovada por 221 a 16

Dever de reparação: aprovado por 220 votos a 15 e duas abstenções

Mara Casares

Rejeição ao pedido de suspender o processo: aprovada por 222 a 12 e três abstenções

Expulsão por gestão temerária: aprovada por 223 a 12 e duas abstenções

Suspensão de 360 dias: aprovada por 224 a 11 e duas abstenções

Inelegibilidade (por 10 anos): aprovada por 221 a 14 e duas abstenções

Dever de reparação: aprovado por 221 votos a 15 e 1 abstenção

Nos dois casos, a reparação se dará por meio de valores relacionados a danos materiais que a situação causou ao São Paulo. Isso pode ser feito, por exemplo, com a precificação da quantidade de ingressos usados no esquema. Também citado na gravação, o ex-superintendente do clube Márcio Carlomagno já havia sido expulso pelo Comitê Disciplinar do São Paulo.

Schwartzmann e Mara ainda são investigados por uma força-tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público (MP-SP). Segundo levantamento do São Paulo entregue às autoridades, Mara, o ex-presidente Júlio Casares e o ex-diretor social Antonio Donizete (conhecido por Dedé) solicitaram 4.743 ingressos de cortesia para shows no MorumBis, que podem ter sido usados irregularmente entre 2023 e 2025.

Novas expulsões podem ser pautadas no Conselho Deliberativo. Um grupo de conselheiros já protocolou uma representação disciplinar contra Carlos Belmonte, ex-diretor de futebol e conselheiro do São Paulo. As sanções podem incluir, a exemplo de Schwartzmann e Mara, expulsão e indenização ao clube.

O pedido se baseia no desequilíbrio financeiro do futebol profissional em 2025. De acordo com o balanço, reprovado no Conselho Deliberativo, houve um excesso de aproximadamente R$ 91,19 milhões em relação ao limite orçamentário aprovado anteriormente. O caso será analisado pela Comissão de Ética.

RELEMBRE O CASO DO CAMAROTE ENVOLVENDO MARA CASARES E DOUGLAS SCHWARTZMANN

O Estádio do MorumBis conta com diversos camarotes que são usados em jogos e shows. Um deles é o camarote 3A, espaço que não é comercializado e que fica em frente ao gabinete do presidente. O local é conhecido como "Sala Presidencial".

Mara Casares e Douglas Schwartzmann estariam envolvidos em um esquema de venda de ingressos para esse espaço, uma ação não autorizada. Mara e Douglas foram flagrados em gravação de conversa que revelou o esquema, chamado por eles mesmos de "clandestino" no áudio.

Na gravação, eles conversam com Rita de Cássia Adriana Prato, intermediária do esquema. Ela havia ingressado com uma ação judicial contra outra intermediária, alegando ter sido lesada no esquema, que já era ilegal.

Schwartzmann e Mara, então, a pressionaram a retirar a ação, temendo que a situação se tornasse pública. Quando ouvidos pela Comissão de Ética, disseram ser inocentes.

Douglas disse que usou mal as palavras quando falou que o caso se tornar público seria um problema e que tratava a situação apenas em campo hipotético. Na gravação, ele pressiona Adriana a retirar um processo que poderia tornar o caso conhecido. Posteriormente, a ação foi extinta.

O ex-diretor da base ainda disse que não há provas de que tenha recebido dinheiro com o uso irregular do camarote. Já Mara apontou que fazia um favor a uma parceira da diretoria feminina, a qual ela encabeçava. Adriana tinha negócios com Mara no São Paulo desde pelo menos 2022, apontou o MP-SP.

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