Continue lendo o artigo abaixo...
O desafio de transportar as emoções do esporte para o audiovisual foi o tema debatido por nomes como João Wainer e Bruno Maia na tarde desta quarta-feira, 13, no São Paulo Innovation Week, em um bate-papo que retratou justamente o tema sobre a arte de aproximar o torcedor de seus ídolos e expor o lado desconhecido que cerca suas histórias.
No debate, dois monstros sagrados do esporte não só nacional, mas também mundial, Zico e Romário foram colocados em pauta
Diretor do filme Zico, o Samurai de Quintino, documentário que conta a trajetória de Zico nos gramados, Wainer falou da responsabilidade de retratar um ídolo nacional como o camisa 10 do Flamengo.
"Abri o filme com a frase: 'eu tenho 60 anos no futebol e nunca perdi um voo, nunca perdi um ônibus'. Isso mostra tudo do Zico. Um cara que sempre chegou mais cedo e saiu mais tarde. O Zico é o biografado perfeito. Entrega tudo, não pede nada. Abriu o acervo dele completamente", afirmou Wainer.
Bruno Maia, diretor da série Romário, o Cara, falou sobre as particularidades do gênero documental. "Documentário não é como o jornalismo. Eu entendo sempre que o começo vem a partir de uma história que eu quero contar", afirmou o cineasta, que está para lançar a série Vai, Brasil, sobre os bastidores da seleção e que tem estreia prevista para junho .
Um novo tipo de comunicação entre a obra e o público foi reforçado durante a conversa. "O documentário [está] abrindo uma nova linguagem. Você vai contar uma história, mas se você criar um protagonista, um antagonista, isso também cabe. É um jeito de contar a história", defendeu", Wainer.
Além do cinema, o streaming entrou na pauta. O jornalista Gustavo Poli, que teve uma longa passagem pelo Grupo Globo, e também marcou presença no evento, comentou a importância de se retratar tudo o que acontece para que a história tenha credibilidade. "Fizemos um documentário sobre o Gabigol chamado Predestinado e teve o episódio em que ele foi flagrado em um cassino (clandestino) na época da pandemia."
IA NO AUDIOVISUAL
O tema do uso da IA (Inteligência Artificial) no audiovisual despertou incerteza, mas vem sendo vista com bons olhos pelos debatedores. "Estamos tentando responder isso agora. Vai ser uma questão de tentativa e erro", afirmou Poli.
Entusiasta da ideia, Wainer vê neste recurso uma oportunidade para as pessoas com mais idade. "É uma ferramenta que favorece os mais velhos. O que ela demanda de você, é repertório. É a primeira vez que aparece uma coisa que valoriza o conhecimento das pessoas que têm mais tempo de estrada. Só acho que tudo que tem IA, tem que ser avisado,"
Já para Bruno, "a possibilidade de recuperar arquivos [com a IA] abre uma quantidade de histórias absurdas. Podemos entrar com narrativas novas. É uma curva que tem várias etapas. Estamos de olho."
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta,15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
Seja o primeiro a comentar!