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Funcionários da USP aprovam greve após criação de bônus para professores

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Os servidores da Universidade de São Paulo (USP) entrarão em greve a partir da próxima terça-feira, 14. O indicativo foi aprovado em assembleia realizada em formato híbrido, no campus Butantã e online, na tarde desta quinta-feira, 9. Procurada pelo Estadão, a reitoria não se manifestou até o fechamento deste texto.

A principal motivação da greve é a aprovação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace) para professores, ocorrida no fim de março.

A medida do reitor Aluisio Segurado prevê um valor extra de até R$ 4.500 nos salários de docentes que propuserem novos projetos e tem o objetivo de "reter talentos", principalmente de contratações recentes.

A Gace será mensal, durará dois anos e somente poderá ser pleiteada por professores que trabalham em tempo integral na USP, que representam mais de 80% do total.

O salário inicial de um professor doutor em dedicação exclusiva na universidade é de R$ 16,3 mil - o adicional representaria 27% desse total. A estimativa de gastos é de R$ 238,44 milhões por ano, caso os cerca de 5 mil docentes inscrevam projetos.

Uma paralisação já havia sido realizada em 31 de março, quando a proposta foi votada no Conselho Universitário.

Para os funcionários, a gratificação exclusiva aos professores fere a isonomia. Eles propõem que o mesmo montante total destinado aos docentes seja dividido entre funcionários, o que resultaria em um reajuste salarial de até R$ 1.600.

"O professor aqui não trabalha sozinho, os funcionários ficam nos laboratórios, nas aulas. Eles precisam dos trabalhadores para desenvolver suas pesquisas", afirma Solange Conceição Lopes, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP.

A entidade quer, ainda, a recomposição integral das perdas calculadas pela inflação desde 2012, de 14,5%.

A USP tem mais de 5.300 professores e aproximadamente 12.600 funcionários técnico-administrativos, segundo dados de 2024 divulgados pela própria universidade.

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