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A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) anunciou nesta quarta-feira, 13, a criação de uma comissão de moderação com o objetivo retomar o diálogo com alunos da instituição, em greve há cerca de um mês.
ntre outras demandas, os estudantes, que realizaram um ato nesta quarta-feira na Avenida Paulista, região central de São Paulo, cobram aumento do auxílio-permanência para o valor equivalente a um salário mínimo paulista (R$ 1,8 mil).
O anúncio foi realizado três dias depois de uma ação da Polícia Militar, com uso de cassetetes e gás lacrimogêneo, para retirar os estudantes do prédio da reitoria. Eles haviam invadido o edifício três dias antes.
Na ocasião, a USP lamentou o episódio e informou que a ação da Polícia Militar não foi comunicada previamente à reitoria. Disse também que comunicou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo logo no início da ocupação, na última quinta-feira, 7, visando a segurança dos servidores e demais funcionários do local.
Como mostrou o Estadão, o reitor da USP, Aluísio Segurado, vinha descartando novas rodadas de negociação. Agora, a instituição afirma que a iniciativa de criar a chamada Comissão de Moderação e Diálogo Institucional visa a promover a abertura de um novo ciclo de interlocução com a representação estudantil.
"Nesta nova etapa, profissionais com experiência em mediação e resolução de conflitos apoiarão a interlocução entre a representação discente e membros da gestão universitária na construção de novos caminhos de entendimento e na busca de soluções para os pontos apresentados pelos estudantes", afirmou a instituição, em nota.
Segundo a USP, a primeira reunião da comissão será agendada com "a brevidade necessária para dar encaminhamento aos pontos de pauta já apresentados, com vistas a poder avançar em sua implementação". A reportagem busca contato com representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que encabeça a greve, mas ainda não obteve retorno.
A mobilização dos estudantes se intensificou após o fim das negociações entre a reitoria e representantes estudantis, sem consenso sobre as reivindicações apresentadas. Com a retomada do prédio da reitoria, a greve ganhou novos contornos.
Na segunda-feira, 11, estudantes do internato da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) anunciaram adesão à paralisação. Os alunos decidiram paralisar as atividades práticas e os atendimentos realizados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC) e no Hospital Universitário (HU).
Em nota, o HC afirmou não ter registrado impactos na assistência aos pacientes. Já o HU informou que as atividades assistenciais seguem sendo realizadas normalmente pelas equipes profissionais da instituição, sem prejuízo ao atendimento da população.
Entre as pautas relacionadas à Faculdade de Medicina, os universitários criticam o programa "Experiência HCFMUSP na Prática", destinado a estudantes de instituições privadas interessados em participar de atividades no Hospital das Clínicas mediante pagamento. O movimento avalia que a iniciativa estimula a "mercantilização" da formação médica.
O que reivindicam os estudantes da USP?
Os estudantes da USP estão greve desde 14 de abril. Liderado pelo DCE, o movimento começou inicialmente em apoio a uma mobilização de servidores, que também cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.
Após pressão e mobilização, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.
De forma mais ampla, o principal ponto defendido pelos estudantes da USP tem sido o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). A universidade anunciou aumento do auxílio permanência de R$ 885 para R$ 912, mas os alunos reivindicam equiparação ao salário mínimo paulista, atualmente fixado em R$ 1.804.
Os grevistas também apontam deficiências em outras políticas de permanência estudantil e relatam problemas estruturais na instituição, incluindo críticas ao funcionamento dos restaurantes universitários.
Na semana passada, alunos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) fizeram paralisações pontuais, por dois dias, mas ainda não decidiram aderir totalmente à greve. Já 16 dos 69 cursos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) pararam.
Algumas reivindicações se repetem nas três instituições, como mais investimentos em permanência estudantil, ampliação de moradia e melhoria na alimentação. Na Unesp, estudantes denunciam falta de docentes, sobrecarga de servidores e dificuldades crescentes para se manter na universidade.
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