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Venezuela recebe ajuda e lança busca frenética por sobreviventes do maior terremoto do século

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Equipes de resgate trabalham desde as primeiras horas da madrugada para encontrar sobreviventes da série de terremotos que abalou Caracas e seus arredores na noite da quarta-feira, 24. Ainda há muitas pessoas presas em prédios que desabaram na capital e nas regiões vizinhas de La Guaira e Maracay.

Segundo autoridades locais, ao menos 164 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas. A ditadura chavista, em meio à uma grave crise econômica e sob pressão política americana, recebeu ofertas de ajuda de ao menos 17 países, entre eles os próprios EUA, China e Brasil.

Os terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 ocorridos na noite de quarta-feira foram os mais fortes a atingir a Venezuela em mais de um século e puderam ser sentidos em toda a região. O principal aeroporto do país, em Maiquetía, sofreu danos e foi fechado. Os abalos foram sentidos também no Brasil, em cidades como Boa Vista, Manaus e Belém.

Embora a Venezuela esteja situada próxima a várias falhas geológicas, sua posição na junção das placas Sul-Americana e do Caribe torna terremotos fortes muito menos comuns do que em outras partes da América Latina.

Ajuda a caminho

Os bombeiros utilizaram ferramentas elétricas para abrir caminho em meio a pilhas de escombros onde antes havia edifícios. Moradores da capital, em pânico, correram para as ruas; após os tremores, muitas pessoas caminhavam entre os destroços em busca de desaparecidos, em meio a prédios desabados e postes de eletricidade derrubados.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou que as autoridades estavam deslocando equipes de resgate de outras partes do país para La Guaira, cidade costeira situada ao norte de Caracas.

Ela declarou estado de emergência em um pronunciamento à nação na noite de quarta-feira e afirmou que o governo estava criando um fundo de reconstrução de US$ 200 milhões para hospitais e residências danificados pelos terremotos.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, recomendou que as pessoas permanecessem ao ar livre, pois réplicas poderiam causar mais danos às estruturas; muitas pessoas ficaram nas ruas por horas, algumas sentadas no chão e abraçadas a seus animais de estimação enquanto a poeira se acumulava ao redor delas.

No centro de Caracas, centenas de pessoas passaram a noite reunidas em parques, estacionamentos e outros espaços abertos. As autoridades alertaram para que não se retornasse a casas com danos estruturais.

Autoridades locais tentam aproveitar ao máximo as horas de luz do dia para acelerar os esforços de resgate de pessoas que, acredita-se, ainda estariam presas sob os escombros.

Imagens da TV estatal mostraram três crianças - cobertas de poeira, mas vivas - sendo retiradas dos escombros. Rodríguez descreveu a região como uma "zona de desastre" e uma das áreas mais atingidas pelos terremotos, em consequência do grande número de edifícios que desabaram.

Um vídeo compartilhado na internet mostrava dezenas de pessoas - algumas deitadas no chão e outras em macas hospitalares - recebendo atendimento do lado de fora de um hospital em La Guaira.

Rodríguez apelou às empresas para que disponibilizassem equipamentos de construção pesada para as operações de resgate, acrescentando que equipes de busca e resgate certificadas pelas Nações Unidas estavam a caminho da Venezuela.

Pânico em Caracas

Durante os terremotos, as pessoas fugiram de prédios que balançavam em Caracas; muitas ficaram visivelmente chocadas ao olharem para trás e verem paredes destruídas que deixavam a mobília exposta para a rua. Colunas de poeira ergueram-se em dois dos bairros mais movimentados da capital.

"Começou de forma leve e foi aumentando gradualmente; no final, todos tivemos que sair de casa, ir para a rua e nos reunir", disse o morador de Caracas Hector Ricci. "Temíamos que os prédios desabassem sobre nós", disse María Cristina Díaz, uma zeladora de 41 anos. "Minha mãe, minha filha e eu estávamos com frio. Não dormimos nada, mas eu não queria passar a noite sozinha em casa depois daquele terremoto terrível."

Partes da capital ficaram sem energia elétrica e sinal de celular, e os terremotos danificaram e levaram ao fechamento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, o principal do país, disse Rodríguez.

Em Caracas, o serviço de metrô foi suspenso e o fornecimento de gás natural, interrompido, informou ela. As aulas também serão suspensas por vários dias, e o Ministério da Educação anunciou que alguns prédios escolares seriam usados ??como abrigos e centros de arrecadação de doações.

Na manhã de quinta-feira, muitas pessoas enfrentaram dificuldades com a falta de sinal de celular em várias partes da Venezuela ao tentarem localizar familiares desaparecidos por meio das redes sociais.

Drama na costa venezuelana

Em La Guaira, a situação é ainda pior. Antonio Bermúdez, 48 anos, morador da região, estava na sala de sua casa quando "de repente" o tremor começou. "Eu comecei a me mover, procurei refúgio debaixo de uma coluna. Estava entre meu quarto e o chuveiro. Tremia mais forte, tremia mais forte", lembra.

"Eu me segurei na parede, me segurei na parede, me segurei na parede e o prédio começou a desabar", explica, enquanto tenta ajeitar uma perna que não consegue mexer depois que uma 'placa' caiu sobre ela enquanto tentava sair debaixo dos escombros.

Diante da falta de luz, alguns moradores correm pelas ruas com lanternas, enquanto os veículos de emergência iluminam brevemente as ruas com suas sirenes e os sobreviventes procuram refúgio.

"Também não temos água, estamos morrendo de sede, entramos na estrutura e temos medo de que ela também desabe", acrescenta Larry Rojas. "Que realmente alguém nos ajude, que enviem máquinas. É isso que precisamos para entrar nos prédios que desabaram", pede.

O mundo se solidariza com a tragédia

Ofertas de ajuda chegaram de países de todo o mundo. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos estão enviando imediatamente equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária para a Venezuela.

"Teremos uma resposta que envolverá todo o governo", disse Rubio na quinta-feira, no Bahrein. "Será ampla. Será rápida. Será eficaz." Ele acrescentou que uma das pistas do aeroporto internacional de Caracas sofreu rachaduras devido ao terremoto, dificultando o pouso de aeronaves no local.

Rodríguez - que assumiu a presidência interina depois que uma operação militar americana capturou seu antecessor, Nicolás Maduro, e o levou aos EUA para ser julgado - agradeceu ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Mais tarde, ela informou em uma publicação na rede social X que havia conversado por telefone com Rubio, sem revelar detalhes. Ela também agradeceu aos líderes de várias nações que enviaram mensagens de apoio e ofertas de ajuda. (Com agências internacionais)

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