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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, salientou nesta quarta-feira, 13, que o número de encontros presenciais e trocas telefônicas de alta cúpula com os Estados Unidos é um dos maiores do Brasil na atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista à CNN Brasil, o chanceler deu mais alguns detalhes sobre a reunião de cerca de três horas na semana passada entre Lula e o líder americano, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington.
"Foi uma visita excelente e uma conversa muito boa em todos os sentidos. Um dos aspectos que o presidente chamou atenção e fez questão de insistir foi sobre a necessidade de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao crime transnacional e às organizações criminosas", disse. Ele relatou que Lula falou sobre a questão do contrabando de armas para o Brasil, do tráfico internacional de entorpecentes e também o combate à lavagem de dinheiro, que é muito importante.
O brasileiro teria proposto a Trump que haja uma maior cooperação entre os dois países nessas áreas. "São temas que já foram tratados e contam com alguns mecanismos em vigor, mas o que o presidente propôs foi um mecanismo maior, mais amplo e que possa abordar definitivamente essa questão do crime organizado", descreveu.
Vieira reforçou que foi estabelecido um período de aproximadamente 30 dias para que cada um dos lados fizesse um exame dos temas que poderiam ser aprofundados e examinados com mais detalhes e voltar a discutir por meio de videoconferência.
"Foi o terceiro encontro pessoal do presidente Lula com o presidente Trump, além de várias chamadas telefônicas, em que continuamos e aprofundamos a discussão dos nossos assuntos bilaterais", enfatizou, salientando que a relação entre as partes existe há 202 anos, desde que os EUA reconheceram a independência do Brasil.
O chanceler também disse que foi aprofundada a conversa sobre o comércio bilateral e que os dois lados estão empenhados em encontrar novos caminhos para que possam ter cada vez mais relações comerciais e investimentos cruzados. "Os Estados Unidos são o maior investidor externo no Brasil, mas o Brasil tem também importantes investimentos nos Estados Unidos que geram empregos e impostos", comparou.
Sobre as tarifas, o ministro destacou ainda que as taxas agora estão entre 10% e 12% do comércio exterior brasileiro e que, portanto, são "reduzidas". "Nós continuamos trabalhando para prestar esclarecimentos e, sobretudo, para deixar muito claro que o Brasil tem um déficit há 15 anos no comércio bilateral com os Estados Unidos. Portanto, nós tentamos provar que a tributação imposta inicialmente ao Brasil, pelos Estados Unidos, não tinha sentido, não tinha cabimento", considerou. "O que nós queremos é negociar e ter uma relação fluida e intensa no que diz respeito ao comércio dos Estados Unidos."
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