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Em um pregão com diversos fatores pendendo para lados contrários na influência sobre a curva de juros futuros, vetores de alta acabaram pesando mais nesta quinta-feira. Apesar de o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de abril ter ficado abaixo do piso das estimativas do Projeções Broadcast, a oferta pelo Tesouro Nacional de mais de 20 milhões de títulos prefixados adicionou mais risco do que o mercado tinha capacidade de absorver e, assim, as taxas encerraram a sessão no terreno positivo.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,057% no ajuste anterior a 14,1%. O DI para janeiro de 2029 exibiu aumento a 13,885%, vindo de 13,818%. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,909% no ajuste a 13,96%.
Apesar da percepção mais positiva sobre a guerra, com relatos de que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo preliminar para estender o cessar-fogo e negociar sobre o programa nuclear iraniano, foi o ambiente doméstico que exerceu maior influência sobre o mercado local de renda fixa no pregão desta quinta-feira.
Confirmando a percepção de agentes diante da necessidade da autoridade fiscal de acelerar o ritmo de emissões, o Tesouro ofertou nesta quinta-feira 21,25 milhões de títulos prefixados, sendo 16 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 5,250 milhões de Notas do Tesouro Nacional - Série F (NTN-F). O volume financeiro do certame foi 100% maior do que o da semana anterior, e o risco adicionado ao mercado, 89% maior, segundo cálculos da Warren Investimentos.
Sócio-fundador da Eytse Estratégia, Sergio Goldenstein aponta que o leilão de prefixados acabou pesando sobre a curva ao longo do dia, com colocação pelo Tesouro de um risco maior do que a capacidade de absorção do mercado. "Aparentemente, não havia demanda robusta pela LTN para janeiro de 2030 'seca'", afirma Goldenstein, ou seja, sem operações de hedge feitas na curva de DIs futuros em igual vencimento.
Ele observa que, na hora do certame, houve um movimento de compra de 70 mil contratos de DI para igual vencimento, por meio de uma única corretora, e o mesmo player pode ter desmontado essas posições, ou seja, fatores técnicos acabaram se sobrepondo aos dados econômicos do dia e ao alívio externo. "Com o recuo dos yields das Treasuries, os dados muito fracos do Caged e a valorização do real, que foi segunda melhor moeda emergente no dia, o normal seria o mercado de juros futuros ter apresentado um desempenho melhor", disse.
O Caged de abril frustrou as expectativas do mercado ao indicar abertura de apenas 85.888 postos de trabalho no mês. O dado ficou abaixo do piso das estimativas do levantamento do Projeções Broadcast, de criação de 130 mil vagas, e representou o pior resultado para meses de abril desde 2020.
Embora, na abertura dos negócios, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua tenha mostrado um mercado de trabalho ainda resiliente, com a taxa de desemprego em 5,8% no trimestre encerrado em abril, ante 6,1% no trimestre anterior, economistas avaliam que os dois indicadores não se contradizem. Prevalece a visão de que os fundamentos do emprego estão em desaquecimento, o que pode ajudar o Banco Central em seu ciclo de calibração da Selic.
"A Pnad também trouxe acomodação da população ocupada em termos dessazonalizados, e queda da renda na margem, então os dados são compatíveis", afirmou Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg, para quem o saldo do Caged do mês anterior foi bastante fraco. Após a publicação do dado, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto da Selic na reunião de junho do Copom apontada pela curva de juros passou a 84%, ante 80% no período da manhã.
Segundo Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o mercado de juros tem ficado mais atento aos dados locais nesta semana, algo que não ocorre na Bolsa e no dólar. "O mercado está entendendo que a guerra vai acabar, e que agora parece que as coisas vão andar", afirmou. Ao mesmo tempo, apontou, os números do mercado de trabalho conhecidos nesta quinta ajudaram a "acalmar" os agentes.
Em evento do banco Pine, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, deu declarações em direção mais conservadora na leitura de participantes do mercado, ao afirmar que a alta das expectativas para a inflação de 2028 é "algo que salta aos olhos"
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