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O historiador Carlos Guilherme Mota, Professor Emérito da USP e ganhador do Prêmio Machado de Assis, morreu aos 85 anos.
A informação foi confirmada pela filha dele à Editora 34, pela qual ele publicou livros. Detalhes sobre velório e sepultamento serão divulgados em breve.
Carlos Guilherme Mota nasceu em São Paulo, em 1941, e foi professor titular de História Contemporânea da FFLCH-USP e de História da Cultura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Na posição de autor, publicou livros como A Ideia de Revolução no Brasil e Outras Ideias; 1789-1799: a Revolução Francesa; História do Brasil e Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974). Neste último, analisou as vertentes de constituição do pensamento crítico, partindo de Mário de Andrade e Caio Prado Jr. até chegar a textos de Antonio Candido e Ferreira Gullar.
Ao lado de Fernando Novais, historiador que morreu em abril aos 93 anos, escreveu A Independência Política do Brasil.
Ao longo de sua trajetória, também foi fundador e primeiro diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP (1986-1988) e diretor da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (2014).
Ele foi professor visitante das Universidades de Londres, Texas, Salamanca e Stanford, além de membro da Comissão de Avaliação do Programa de América Latina da Universidade de Princeton (EUA) e do Wilson Center (Washington). Também foi Diretor de Estudos da École des Hautes Études (Paris).
Ademais, o historiador atuou na função de Diretor do Arquivo do Estado de São Paulo e foi um dos criadores do Memorial da América Latina, a convite de Darcy Ribeiro para elaborar o perfil da instituição.
Em 2009, Mota recebeu o título de Professor Emérito da Universidade de São Paulo, e em 2011 ganhou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.
Em entrevista ao Estadão em 2019, ele avaliou o então cenário político do País e projetou o futuro do Brasil da seguinte maneira: "Falar do futuro exige projeções sólidas. Sem elas, o que temos é uma nebulosa mesmo, não há muita saída. Mas a meu ver há uma revolução que precisa ser feita, que é valorizar o estudo da História. Autores recentes como Yuval Harari estão clamando por mais atenção para os movimentos histórico-culturais de longa duração. O horizonte é de construção para longo prazo, e temos, nós brasileiros, de aprender essa lição".
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