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Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
A filha mais velha da mulher que foi jogada pelo ex-companheiro de um penhasco de 50 metros na Serra do Rola-Moça, em Belo Horizonte (MG), disse esperar que a "justiça seja feita". Thaine Heloísa Rodrigues de Souza, de 24 anos, afirmou nas redes sociais que foi um milagre a sua mãe, Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, ter sobrevivido. O ex-companheiro dela, Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, foi preso e confessou o crime. A defesa dele não foi localizada.
"Só quero que a justiça seja feita, só quero isso. Que minha mãe possa viver a vida dela em paz, porque, de fevereiro para cá, a gente estava vivendo um verdadeiro inferno. Que minha família possa viver em paz e que ele pague por tudo que já fez", afirmou Thaine.
Ana Cláudia e Silvanildo, que têm uma filha de 9 anos, se separaram em fevereiro após mais de 10 anos de relacionamento. Dias antes do crime, a vítima havia pedido uma medida protetiva contra o ex-companheiro.
Thaine também contou que a mãe está bem fisicamente. "Eu pedi tanto para Deus entregar ela com vida pra mim. Ela está no hospital no momento, mas ela não teve muitos ferimentos. Ela teve uma pequena fratura no nariz, arranhões no rosto, roxo nas pernas. Eu, meu irmão e meu esposo conseguimos conversar com ela. Minha mãe nasceu de novo, um verdadeiro milagre. Se Deus quiser, logo ela estará em casa", disse.
Ana Cláudia havia desaparecido após levar a filha mais nova para a escola, no bairro Pindorama, em Belo Horizonte, na manhã de segunda-feira, 25. Ela tinha relatado à família que encontrou o ex-companheiro no trajeto. Em um vídeo após a prisão, na terça-feira, 26, Silvanildo confessou o crime e contou como sequestrou e arremessou a mulher do penhasco.
"Peguei ela descendo do ônibus para o serviço dela. Abracei ela e falei para entrar no carro. Ela perguntou se eu ia matar, eu falei: 'vou te matar, não'. Levei lá para o Jardim Canadá e joguei do penhasco. Empurrei ela lá", afirmou Silvanildo. Ana Cláudia, que foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros, esperou o socorro por mais de 24 horas até ser localizada.
Silvanildo também contou ter mostrado um canivete para Ana Cláudia. "Não usei nada para ameaçar, ela ficou com medo. Eu estava com canivete. Falei: 'bora, bora', só isso. Só mostrei e coloquei no bolso, não fiquei com ele na mão", relatou. O homem foi preso em Várzea da Palma, a mais de 300 km da capital mineira.
Durante as buscas no veículo de Silvanildo, os policiais militares encontraram o canivete usado para ameaçar a mulher, diversas facas e quatro celulares - um deles embalado em papel alumínio na tentativa de dificultar o rastreamento via GPS.
Segundo a polícia, o carro do homem foi monitorado por meio de registros das câmeras ao longo da rodovia. Na noite de segunda-feira, já no norte mineiro, ele passou por Várzea da Palma e seguiu até a cidade de Corinto, onde dormiu no veículo. Na terça-feira, retornou para Várzea da Palma e acabou sendo localizado e preso.
Resgate
De acordo com o Corpo de Bombeiros, Ana Cláudia foi levada consciente e sem sinais de fraturas para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte. Ela conversou com a equipe durante todo o resgate, realizado com a ajuda de um helicóptero entre o Mirante do Planeta e o Mirante dos Veadeiros - local de difícil acesso.
A mulher sofreu duas quedas, conforme os bombeiros. A primeira, de cerca de 10 metros, era mais íngreme. Os outros 40 metros eram menos inclinados. Para tentar se salvar, ela ainda conseguiu subir cerca de 10 metros, até chegar ao ponto onde foi encontrada pelos bombeiros e içada pelo helicóptero. O trabalho de buscas e resgate contou com mais de 20 militares.
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