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Rússia intensifica seus ataques contra a Ucrânia enquanto Trump fala em possível paz

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Mais de 100 drones russos atingiram áreas da Ucrânia nesta quarta-feira, 13, disse o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, poucas horas após outra série de ataques a áreas civis ter deixado pelo menos oito mortos.

"A Rússia continua seus ataques e faz isso de forma descarada - mirando deliberadamente nossa infraestrutura ferroviária e locais civis em nossas cidades", escreveu Zelenski em publicação no X.

Os ataques de Moscou ao país vizinho são incessantes, mesmo enquanto a Ucrânia se sente encorajada por seus recentes avanços militares e enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmaram - sem apresentar evidências - que a guerra de quatro anos pode estar se aproximando do fim.

Os ataques noturnos atingiram infraestrutura residencial e ferroviária nas regiões centrais de Dnipro e no nordeste de Kharkiv, além de infraestrutura portuária na região sul de Odessa e instalações de energia na região central de Poltava, segundo Zelenski. Na terça-feira, 12, ele disse que 14 regiões foram alvo de ataques ao longo do dia.

"É importante apoiar a Ucrânia e não permanecer em silêncio sobre a guerra da Rússia. Toda vez que a guerra desaparece das principais notícias, isso incentiva a Rússia a se tornar ainda mais brutal", disse Zelenski, em uma aparente referência ao fato de a atenção mundial estar voltada para a guerra no Irã.

Trump e Putin falam sobre um possível fim da guerra

Trump afirmou na terça-feira que acredita que Moscou e Kiev chegarão em breve a um acordo para encerrar os combates.

"O fim da guerra na Ucrânia, eu realmente acho que está muito próximo", disse Trump a jornalistas ao deixar a Casa Branca para uma cúpula em Pequim. "Acreditem ou não, está ficando mais perto."

Putin afirmou em um discurso no último fim de semana que sua invasão da Ucrânia possivelmente está "chegando ao fim".

Nenhum dos líderes detalhou o que os levou a acreditar na possibilidade de paz no conflito mais longo da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Os esforços diplomáticos liderados pelos EUA ao longo do último ano para encerrar a guerra não avançaram após não registrarem progresso em questões centrais, como se a Rússia ficará com terras ucranianas que ocupou e o que pode ser feito para impedir que Moscou volte a invadir o país.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, indicou nesta quarta-feira, 13, que as condições fundamentais de Moscou não mudaram, com Putin insistindo que a Ucrânia retire suas tropas das quatro regiões - Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia - que a Rússia anexou ilegalmente em setembro de 2022, mas que ainda não controla totalmente.

"Nesse ponto, um cessar-fogo será estabelecido, e as partes poderão entrar em negociações de forma tranquila, que, aliás, serão inevitavelmente muito complexas e envolverão muitos detalhes importantes", disse Peskov.

Zelenski reafirmou o compromisso de manter a pressão sobre Moscou para que faça concessões nas negociações.

"Não estamos desistindo dos esforços diplomáticos e esperamos que a pressão sobre a Rússia, junto com negociações em diferentes formatos, ajude a trazer a paz", disse ele em um discurso nesta quarta-feira em Bucareste, na Romênia, a representantes de países do flanco oriental da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"As sanções estão funcionando, nossas capacidades de longo alcance [drones e mísseis] estão funcionando, e todas as formas de pressão estão funcionando", disse ele.

Enquanto isso, governos europeus estão avaliando os méritos de abrir negociações com Putin. A Europa há anos tenta isolar o líder russo e tem punido seu país com sanções internacionais.

Combates parecem mudar a favor da Ucrânia

A correlação de forças na guerra mudou nos últimos meses. A Ucrânia passou de pedir ajuda internacional para sua defesa a oferecer a países estrangeiros sua experiência sobre como conter ataques, graças à tecnologia de drones desenvolvida internamente.

Os ataques ucranianos de longo alcance com drones e mísseis interromperam operações em instalações de energia e fábricas no interior da Rússia, com três regiões relatando ataques nesta quarta-feira. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças interceptaram e destruíram 286 drones ucranianos sobre regiões russas, a Península da Crimeia - anexada ilegalmente pela Rússia -, o Mar de Azov e o Mar Negro.

Na linha de frente de 1.250 quilômetros, o avanço do Exército da Rússia, maior e mais bem equipado, vem desacelerando a cada mês desde outubro, segundo o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, na sigla em inglês).

A ofensiva de primavera da Rússia perdeu força, com as tropas russas registrando perda líquida de território no mês passado pela primeira vez desde 2024, afirmou o ISW.

"Não apenas as linhas defensivas ucranianas estão resistindo, como as forças da Ucrânia conseguiram disputar a iniciativa tática em várias áreas da linha de frente, mesmo enquanto a Rússia continua perdendo quantidades desproporcionais de soldados para obter ganhos mínimos", disse o ISW na terça.

*Com informações da Associated Press.

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